Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Chico Buarque 



Chico completa hoje 69 anos de vida. Chico é cantor, músico, poeta, escritor, galã e bom de bola. Chico trabalhou com Caetano, Vinicius e Jobim, entre outros. Chico, mesmo agora, com 69 anos e a cara cheia de rugas, parece um menino, um moleque. É admirar ou invejar.
Os donos do regime

Eu até subscrevo as palavras de Rui Rio (a que cheguei através do Filipe), mas creio que ele anda há muitos anos na política activa — e integrado num partido que não está propriamente à margem do sistema — para vir agora dar ares de virgem ofendida. Como todos sabemos, estas famílias são donas do regime em que vivemos e
isto é o pão nosso de cada dia
Deixo aqui um excerto do guião do filme «Donos de Portugal», de Jorge Costa:
«30:10
(…)
A família Mello concentra-se hoje em aplicações financeiras, em sectores com rendas asseguradas pelo Estado: na Brisa, na EDP, na saúde privada, além de deter metade da Efacec. Sempre rodeado de figuras políticas de primeiro plano, José Manuel de Mello detinha no início do novo século, uma fortuna correspondente a 2% do PIB nacional.
Mas esta fortuna foi reconstruída de mão dada com o Estado, ao longo dos últimos vinte anos. Reorganizado logo nos anos 80, o grupo aposta na indústria alimentar. No início da década de 90, os Mello são indemnizados pelas nacionalizações. Do Estado recebem também vultuosos empréstimos, através da banca pública, para comprarem a Sociedade Financeira Portuguesa e a Bonança. Mas, para esses negócios, a família procura sedes abrigadas do fisco português.»

Terça-feira, 18 de Junho de 2013

Badalhoquices

Quando li o título desta notícia, através da página de Facebook do Rui Bebiano, pensei que se tratava de uma coisa «porca». Quando li o texto, percebi que se tratava, de facto, de uma coisa «porca», mas noutro sentido.
Da (im)possibilidade de ouvir as cigarras

Um excerto de «A conjura contra o Verão», o último texto do magnífico livro de Claudio Magris «A História Não Acabou» (p. 236/7):

«Esta mobilização geral, esta política totalitária, que põe todos em fila e os faz marchar segundo um itinerário obrigatório como nos passeios escolares em visita aos museus, é uma autêntica conjura, animada por um ódio inconsciente pelo indivíduo e pela sua liberdade cigana, pelo seu direito de andar aos deus-dará, ao acaso como os cães vadios no filme O Meu Tio de Tati. Mas esta inexorável organização totalitária talvez seja também animada pela piedade pelos homens e pelo bom propósito, comum às tiranias, de os proteger de si mesmos. Precisamente porque o Verão é um rosto da vida verdadeira, esta às vezes é insustentável; em certos dias de perfeita transparência, em que parece ver-se o fundo da existência, as cores absolutas do mar dizem-nos o que a vida poderia e deveria ser, a sua plenitude, o seu significado, a sua intensidade, e põem-nos, portanto, cara a cara com a nossa penosa verdade, com a falsidade, com a mutilação, com a miséria da nossa existência.
Essa epifania, essa revelação podem ser intoleráveis, fazer mal ao coração que se sente em relação a elas bastante inferior; o Verão nu é também uma sarça ardente, que queima quem se aproxima. E então é obra piedosa sufocar a promessa e a exigência de vida verdadeira, apagar aquela sarça ardente com o primeiro trapo à mão. O barulho que impede de ouvir as cigarras é uma boa droga para a nossa vitalidade espezinhada; para quem está habituado ao ar viciado, sair para o ar livre, como se sabe, pode ser perigoso.»

Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

A ler 

Luís M. Jorge, Tocante: «(...) enquanto os mestres-escola comprometem o tenro destino das crianças que deveriam estimular como brotos numa estufa, o ministro Crato — sob o olhar meigo e obsequioso do Presidente Cavaco — irá prepará-los para a vida, revelando a cada um os benefícios da poupança e as amenidades da vida num quartel, com a intenção benemérita de enrijecê-los. A nação tem falta de agricultores.» [excerto]

Sábado, 15 de Junho de 2013

Imperdível



De um dos discos da minha vida, uma das canções da minha vida. E há um terceiro «da minha vida», porque a banda também o é.
Combater o bom combate

Este Governo anda há meses a violar a Constituição da República Portuguesa, que é a nossa Lei Fundamental e aquela que ocupa a posição cimeira na hierarquia da legislação nacional.
O que agora está a suceder em relação à greve dos professores não é novo: o que choca é o acumulado. Com o decorrer do tempo, o «saco do lixo» vai ficando cada vez mais cheio e, naturalmente, malcheiroso.
Como alguém escreveu hoje no Facebook
, «combatê-lo [ao Governo] é já um dever, na defesa do estado de direito». Para quem for religioso (não é o meu caso), a referência deverá ser o «bom combate» de que falava S. Paulo.

Sexta-feira, 14 de Junho de 2013


Ainda não acabei de ler este livro, mas está a ser um enorme prazer acompanhar a escrita ética, culta e inteligente de Claudio Magris. Só não é uma novidade porque já havia lido, do mesmo autor, «Danúbio». Trarei este livro aqui novamente.
PÓS-ÉPICO

Cada pala­vra enfrenta o silên­cio
com o seu punhal de síla­bas afi­a­das:
sabem todas
que nenhuma vitó­ria se demora
para ser lon­ga­mente can­tada
pelas épicas pre­ten­sões
de quem lhes é pró­ximo e rego­zija
à espera dos des­po­jos
espa­lha­dos na areia
ou pelas ruas onde ainda ardem alguns sons.
Dizem-nos que par­ta­mos de noite,
dos cam­pos onde foi Tróia,
ao encon­tro do velho fatum medi­ter­râ­nico,
pura levi­an­dade dos deu­ses
que o dese­nha­ram rindo,
esque­ci­dos de que a repe­ti­ção
nem sem­pre con­vém aos homens,
muito menos às palavras.

Ivone Mendes da Silva
Luta pela liberdade (2) 

© Occupy Gezi 

Istambul, Turquia, 12/06/2013.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu às mães dos manifestantes para irem buscar os filhos ao Parque Gezi. Em resposta, dezenas de mães foram a Gezi, mas, ao invés de levarem os filhos consigo, formaram um cordão humano entre estes e a polícia. 

Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

Luta pela liberdade 

© Dado Ruvic/Reuters
 
Istambul, Turquia, 11/06/2013.
Das coisas mais brutais que alguma vez li

 
«Mesmo eu, que sonho tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro. A minha vida é como se me batessem com ela».

Bernardo Soares (Fernando Pessoa), «Livro do Desassossego»
GLORIASTRASSE [excerto]

Evil, not simply mistakes, lasts, 
what can be forgiven is long since forgiven, the blade's cut 
has also headed, only the cut made by evil 
does not heal, but opens during the night, every night. 

Ingeborg Bachmann, «Darkness Spoken: The Collected Poems», tradução de Peter Filkins, Zephyr Press, 2006
Limpar a própria merda não é servir Portugal

Afinal, parece que Maria Luís Albuquerque, pelo menos de acordo com a avaliação efectuada pela própria Consultora contratada pelo Governo, também é responsável pela subscrição de «swaps» complexos.
A questão é: como pode a Secretária de Estado do Tesouro continuar a liderar negociações que visam resolver um problema pelo qual ela própria foi parcialmente responsável? Mais: como é possível que continue em funções depois de ex-colegas terem saído do Executivo exactamente pelo mesmo motivo?
Por fim, impõe-se uma constatação: parte significativa do tempo e das energias do Ministério das Finanças são gastos a tentar limpar a merda que foi feita por pessoas que ocuparam e ocupam posições de relevo no Estado. Ou seja: não estão a trabalhar para nós, mas, isso sim, a tentar corrigir as asneiras que fizeram. É justo serem remunerados por isso?

Ora aqui está uma reedição que não poderia ser mais oportuna.
O amor à vida

«O importante não é o amor de uma pessoa, é o amor à vida.» – Patrick (Walter Lassally) no filme «Before the Midnight». E é verdade (embora eu não tenha chegado a esta conclusão sem algum sofrimento).

Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

«justiça»...?

Não há quem defenda este homem publicamente? O Miguel Esteves Cardoso não vai escrever uma crónica, como fez em relação ao Miguel Sousa Tavares? E o próprio Miguel Sousa Tavares, não manifesta a sua solidariedade? Já agora: como anda a investigação da PGR sobre o caso Miguel Sousa Tavares? Com este homem, a «justiça» (assim mesmo, entre aspas e com letra minúscula) foi célere.
Alegria 

Sete Lágrimas e Adufeiras de Monsanto
Festival de Leiria | Mosteiro da Batalha | 2 Junho 2013
© António Flor, 2013


«(...) the ideal of a democratic and free society in which all persons will leave together in harmony and with equal opportunities (...) it is an ideal for which I am prepared to die.» – Nelson Mandela

Terça-feira, 11 de Junho de 2013

Imortal 


Nelson Mandela, agora e para sempre, um homem maior do que a vida e um monumento à dignidade humana e à capacidade de resistir à injustiça. Como ele disse, citando os dois últimos versos de Invictus, um poema do século XIX de William Ernest Henley, «I am the master of my fate: / I am the captain of my soul».

Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

A ler 

Pedro Correia, O último nevão do meu avô: «Há quem receba dinheiro. Ou palavras. Ou diários íntimos. Há quem não receba nada. Eu recebi como testamento do meu avô esta poesia muda das últimas fotografias que tirou, recolhidas durante mais de uma década no interior da sua antiquíssima Rolleiflex. Quase em jeito de epitáfio, como se pretendesse transmitir por imagens ao neto que nunca mais veria: não procures mais, o essencial da vida é isto.» [excerto]
Surprise us... or die. 

Sexta-feira, 7 de Junho de 2013

Encontros e desencontros, bons e maus 

Henrique Granadeiro: «A nossa vida depende dos bons e maus encontros que vamos tendo, e que não dependem de nós.» in Jornal de Negócios, Abril de 2010

Há pouco, enquanto lia uma entrevista a Henrique Granadeiro, efectuada por Anabela Mota Ribeiro há pouco mais de três anos, deparei com a frase acima transcrita. Ocorreu-me ter lido algo semelhante, mas dito por Margarida Marante: «Como já disse, na vida há bons e maus encontros»
Aquando da morte de Margarida Marante, mencionei a entrevista da qual a sua frase é extraída aqui. Na altura, escrevi: «A vida tem encontros e desencontros, momentos bons e momentos maus, e há que tentar viver com entusiamo. No fim, morremos todos. Nada mais há a saber». É isso.
O mais impopular


«Cavaco Silva continua a sua queda, confirmando-se como o mais impopular Presidente da República do Portugal democrático.» [in Expresso, na sequência duma sondagem]

Segunda-feira, 3 de Junho de 2013

Da gestão pública
 
Conselho de Administração da Carris

Carris ganhou 15 milhões cortando salários e aumentando bilhetes e perdeu 17 milhões com os swaps.

Mais um exemplo de boa gestão da coisa pública (a notícia tem pouco mais de um mês e foi mencionada aqui pelo Marco). E, apesar da notícia do i não os nomear, há responsáveis. Aqui ficam os nomes:

Conselho de Administração:
Presidente - Dr. José Manuel Silva Rodrigues
Vogal (1) - Dr. Pedro Brito Bogas  
Vogal (2) - Dr. Luís Carlos Antunes Barroso  
Vogal (3) - Dra. Maria Manuela Bruno de Figueiredo
Mesa da Assembleia Geral:
Presidente - Dr.ª Maria Fernanda Joanaz Silva Martins
Vice-Presidente - Dr.ª Luisa Maria Rosário Roque          
Secretário - Dr. Pedro Miguel Cerqueira Abreu     
Conselho Fiscal:
Presidente - Dr. José Emílio Castel Branco       
Vogal efetivo - Dr. José Carlos Pereira Nunes       
Vogal efetivo - Dr.ª Maria Onilda Oliveira Sousa            
Vogal suplente - Dr.ª Maria Teresa Vasconcelos Abreu Flor Morais
ROC:
Efetivo - José Duarte Assunção Dias
Suplente - José Luís Areal da Cunha

Domingo, 2 de Junho de 2013



Penso que este excerto da entrevista efectuada há cerca de um mês ao Presidente do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) não deixa qualquer margem para dúvidas: o poder da banca sobre o Estado constitui um dos entraves à resolução dos problemas do país. Infelizmente, tratamos como fait divers questões que são o cerne do problema.

Sábado, 1 de Junho de 2013

Bigotry tries to keep truth safe in its hand 
with a grip that kills it.

Rabindranath Tagore, «Fireflies», 1928


A todos os chulos do Estado.

Sexta-feira, 31 de Maio de 2013

Momentos da História (1)

© Bettmann/CORBIS

Martin Luther King Jr. e Joan Baez escoltando um grupo de crianças no caminho para uma escola integrada em Grenada, Mississippi. A imagem de momentos como este ajuda-me/nos a ter esperança no futuro.
Uma brecha de luz


«O berço baloiça por cima de um abismo e o senso comum diz-nos que a nossa vida mais não é do que uma brecha de luz entre duas eternidades de treva.» (p. 21)
Porto

Quarta-feira, 29 de Maio de 2013

No escuro mesmo destes pensamentos
Acordo às vezes e então eu sinto
Quão longe do real e do humano
Da súperfície lúcida da vida
Me acho sepulto confrangidamente
Com uma consciência e nitidez
Aguda e transcendente. Dolorido
Mais que alma até ao íntimo do ser.

O que é haver? Que é ser? Que é haver ser?
O horror que haja existir, e como o haja,
Tortura-me até ao abismo que há em mim.

Horror! O antídoto
(Bebe)
Meu ser! Horror!

A essência do mistério o seu horror
Está não só em nada compreender
Mas em não saber porque nada se compreende.

Fernando Pessoa, «Fausto, Tragédia Subjectiva», edição de Teresa Sobral Cunha, prefácio de Eduardo Lourenço, Relógio D'Água, Lisboa, 2013, p. 191/2.

Terça-feira, 28 de Maio de 2013

Teatro de Marionetas 


É a isto que Portugal está reduzido (e, noutra escala, a Europa). Ainda por cima, é um teatro de 5.ª categoria: marionetas de má qualidade, má encenação, mau argumento, etc. Quanto às nossas marionetas, isto não as isenta de responsabilidades: são-no porque optaram, em boa medida, por sê-lo. 

 (imagem «furtada» ao Miguel)

Domingo, 26 de Maio de 2013

Helena Sá e Costa: 26/05/1913-26/05/2013 


Partes: II / III / IV / V

No dia em que Helena Sá e Costa (1913-2006) completaria 100 anos, a Casa da Música prestou-lhe a mais bela homenagem: desde as 10h00, dezenas de jovens tocaram piano nos mais diversos locais da Casa da Música.
Pela minha parte, trago-a aqui tocando no Concerto para Piano e Cordas de Armando José Fernandes (1906-1983).

Sábado, 25 de Maio de 2013

Idem

Henrique Fialho, Estômago: «Ser capaz de conviver com a imbecilidade como se ela não existisse, tapando os ouvidos, fechando os olhos, ignorando e sendo indiferente. Fugindo ao confronto. Admiro profundamente quem o consegue, porque eu não consigo. Ao fazê-lo, sinto-me patrocinador da cretinice. Não sou cínico o suficiente.»
Ricardo Salgado procura escravos alegres

Ricardo Salgado: «Há imigrantes que substituem os portugueses que preferem ficar com o subsídio de desemprego. Se os portugueses não querem trabalhar e preferem estar no subsídio de desemprego, há imigrantes que trabalham, alegremente, na agricultura e esse é um factor positivo.» [sublinhado meu]

Há menos de 4 anos, o Público publicou uma reportagem que denunciava a ocorrência de situações de escravatura no Alentejo. O escravos, estrangeiros, eram recrutados através de agências de emprego sem escrúpulos. O Bispo de Beja, António Vitalino, há 1 ano e 1/2 denunciou igualmente situações de escravatura no Alentejo.
«Alegremente», diz Ricardo Salgado? Para os Salgados deste mundo, também se vivia alegremente nos romances de Dickens. Eu sei bem o que um gajo destes merecia.

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013


Escuta o papá, Pedrito, e vai mas é festejar com a família.
Dito isto, há que repetir o que estou farto de escrever: isto não é um país, isto é um manicómio a céu aberto.
Palminhas, palminhas

A que ponto esta merda chegou... Um dia destes, ainda veremos gente a defender o trabalho infantil; assim como assim, sempre é dinheiro a entrar em casa da família. E haverá sempre uns parvinhos disponíveis para aplaudir.

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Der Wanderer über dem Nebelmeer, Caspar David Friedrich, 1818

Domingo, 19 de Maio de 2013

A ler 

Luís M. Jorge, O crepúsculo da imprensa: «Para esta gente vale tudo, pelo motivo simples de que nada tem ainda algum valor. Sob o manto das proclamações ideológicas ocultam-se as pequenas estratégias de uma ruína anunciada em que se salva quem puder» [excerto]

Na edição de hoje da Revista 2 do Público, Paulo Varela Gomes escreve sobre uma pintura que aprecio particularmente: «Frau vor untergehender Sonne» («Mulher diante do pôr-do-sol»), do pintor alemão Caspar David Friedrich (1774-1840).
Paulo Varela Gomes escreve belissimamente e pensa ainda melhor. A melhor forma de exprimir a minha admiração pelo homem, que é imensa, é afirmando o seguinte: se eu fosse homossexual, quereria um homem assim para ser co-pai dos meus filhos. E agora, deixo aqui um excerto da sua crónica de hoje:

«Vemos o amanhecer do mundo em cada pintura de Friedrich, a bruma do meio-dia, a esperança do entardecer. Vemos também como tudo isso é vertido em pintura, em cor, em traço, como se fosse necessário sujar-se na própria matéria das coisas (na luz) para mergulhar no íntimo do ser e para o arrancar à decepção. A mais vigorosa pulsão de vida atravessa os quadros e desenhos de Friedrich, como os de tantos outros artistas, nessa época em que jovens de todas as idades, antes do despertar, partiram ao assalto do coração e do céu.»

Nota – Esta pintura é parcialmente reproduzida na capa de «A Casa das Auroras», um excelente livro de Cristina Carvalho
.

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Estou com o Astérix

Já tinha lido qualquer coisa sobre este texto de Inês Teotónio Pereira, deputada do CDS, mas só agora o li. Indo directamente ao essencial: uma pessoa que escreve «mas a natureza das criaturas resiste à benéfica influência paternal como a aldeia do Astérix resistiu culturalmente aos romanos», dando por adquirido que o paralelismo lhe é favorável, não merece que percamos muito tempo com ela.

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Do despudor

Fernando Negrão, deputado do PSD: «Os alunos não devem ter nenhum contacto com esta Constituição.»

Segundo o deputado Fernando Negrão, esta Constituição da República Portuguesa (CRP) não pode ensinada nas escolas porque tem uma carga excessivamente ideológica. O deputado do PSD, que por acaso até é jurista, parece ignorar que a CRP é a Lei Fundamental do país e, digam lá o que disserem, está em vigor na República Portuguesa. Mais: o seu estatuto de deputado é definido precisamente pela CRP. Dito isto, devo dizer que o despudor com que esta gente defende coisas absolutamente inenarráveis é talvez o que mais me choca. O que mais falta? Proibir o seu ensino nas aulas de Direito Constitucional dos cursos superiores de Direito?

Terça-feira, 14 de Maio de 2013

A ler
 
 
Palavras-chave: criminalidade, proxenetismo, Luís Filipe Menezes, Rodrigo Moita de Deus, Carlos Abreu Amorim, Luís Paixão Martins.

«Nessa época, do lado de cá dos muros do palacete, há um país irrespirável, de ar rarefeito. Mas para lá do portão da residência oficial, habita um mundo quase idílico, protegido de agitações, protestos e inconveniências. «Salazar teve a amabilidade de fazer uma ditadura que não dava nas vistas», resumirá Gustavo Soromenho, socialista e opositor. «Não se favava de nada. Não pressentíamos nada», confirma Rosália. «Os ministros chegavam e fechavam-se. Dentro de casa era outro país.»
 
Miguel Carvalho, «A Última Criada de Salazar», Oficina do Livro, Alfragide, 2013, p. 70.

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Chet Baker (1929-1988) 


Completam-se hoje, dia 13 de Maio de 2013, 25 anos desde a sua morte. Esta versão de «My Funny Valentine», clássico que será sempre associado a Chet Baker, foi gravada ao vivo em Tóquio menos de um ano antes da sua morte.
A ler 

António Almeida, A felicidade numa caixa de sapatos: «“Nós éramos 10 numa caixa de sapatos”, provavelmente a frase resumo de toda uma feliz geração.» [excerto]
O estado da nação 

Domingo, 12 de Maio de 2013

Chego a sentir vergonha pela falta de vergonha alheia

No tempo do Governo Sócrates, era assim; agora, é assim. Ora, eu podia jurar que já na altura «os desempregados são [eram] pessoas como nós: têm [tinham] mulher ou marido, cônjuge de facto, filhos, enteados, pais, sogros, etc.» Enfim. (via Soliplass)
Da coragem intelectual

«I know from experience that to say these things today is to venture into a no man’s land between hostile armies. It is to preach the folly of war as bullets fly.» – Albert Camus

Mas disse-as, e isso distingue-o dos cobardes. Quem é corajoso não sacrifica a ética à necessidade de se sentir apoiado e integrado.

Sábado, 11 de Maio de 2013

O coração do Mali 


«Jama Ko» é um manifesto contra a situação de verdadeiro terror que os islamitas têm provocado no Mali. No encarte do disco, os Bassekou Kouyate & Ngoni Ba escrevem: «If the Islamists stop people music making they will rip the heart out of Mali.»
A ver


«O Capital», um filme de Costa-Gavras.

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Ler para crer

Ulrich: Taxar depósitos acima de 100 mil euros é «boa notícia». Uma pessoa já não sabe o que escrever... Tudo isto parece uma ópera-bufa de 5.ª categoria.

... diz ele. E pensar que há tantas, tantas coisas sobre as quais o Vasquinho também não sabe dizer nada...(via Soliplass)

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013


Leio o mais recente livro do Miguel Esteves Cardoso, «Como é Linda a Puta da Vida» (Porto Editora, 2013), uma compilação de crónicas publicadas no Público nos últimos anos. É bom ler alguém que, sendo extremamente inteligente, não está preocupado em esfregar a sua inteligência na nossa cara em cada linha que escreve; sobretudo, é muito bom ler um cronista que não destila fel em cada palavra.